Na primeira semana, foi trabalhada a relação dos alunos com a leitura. (Sendo vista como "matéria-prima" para uma boa escrita.)
Num campo quase filosófico, questões como: Escrever é uma arte? E o problema de quando a escrita é vista como dom e logo é entendida que dessa forma, só será habilidade de alguns. Desmistificar essa conveção foi um dos primeiros desafios.
O texto usado como base foi a citação de Clarice Lispector de "Um sopro de vida".
"Todo mundo que aprendeu a ler e escrever tem uma certa vontade de escrever. É legítimo: todo ser tem algo a dizer. Mas é preciso mais do que vontade para escrever. ... O que devem fazer essas pessoas? O que Ângela faz: Escreve sem nenhum compromisso. Às vezes uma só linha basta para salvar seu próprio coração."
Foi feita também a leitura de uma crônica da Martha Medeiros "O salva-vidas". Segue trecho:
O SALVA - VIDAS
De vez enquando aparece no noticiário algum sortudo que teve sua vida salva por um objeto: uma caneta no bolso, uma moeda, uma calculadora, algo que impediu que uma bala de revólver lhe perfurasse o coração. Pois aconteceu de novo: sábado passado em Cuiabá, um professor de 52 anos reagiu a um assalto e teve sua vida salva porque, na hora do disparo, a bala acertou o que ele trazia em mãos: um livro. Um livro bem grosso, imagino. Um tijolaço.
Em plena semana em que inicia a nossa Feira, não posso perder a chance de fazer uma analogia. Terei coragem de apelar e dizer que os livros salvam a vida de milhares de pessoas todos os dias? Bom, agora já disse.
Piegas ou não, forçado ou não, eu acho mesmo que os livros nos "salvam", de alguma maneira. Salvam a gente de levar uma vida besta, doutrinada pela TV. Salvam a gente de ficar olhando só pra fora, só para o que acontece na vida dos outros, sem nos dedicar a alguns momentos de introspecção. Salvam a gente de ser preconceituoso. Salvam a gente do desconhecimento, do embrutecimento, do mau-humor, da solidão, salvam a gente de escrever errado. Se existe salvador da pátria, não conheço outro.
Quando me refiro a alguém que lê, estou me referindo a alguém que lê bastante, que lê com paixão, que lê compulsivamente porque ler dois ou três livros por ano, apesar de estar dentro da média brasileira, está longe de ser comemorado. Vira um programinha excêntrico: "Vou aproveitar que hoje está nevando e ler um livro". Nada disso. Livro salva quem nele se vicia. Salva quem não consegue se saciar. Quem quer saber mais, conhecer mais, se aprofundar mais. É imersão. Mergulho. Salva a gente da secura da vida".
EMEDIO
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
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