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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O rei, presidente - Roberto Pompeu de Toledo

27/01/2009
Depois de reproduzir, na postagem “Obama, por Saramago”, texto de José Saramago sobre as propostas políticas de Barack Obama, reproduzo trecho de um artigo, publicado na revista ‘Veja’, de Roberto Pompeu de Toledo, sobre a posse de Obama e, principalmente, sobre a engenharia política da figura do Presidente nos Estados Unidos, de certa forma, sucessora da figura do monarca, sendo personagem central do regime, embora não tenha coroa e seja investido pelo voto e não pelo sangue. É uma ótima definição, principalmente levando em conta os Estados Unidos, do presidencialismo e dos avanços que levaram até ele.
“O presidente dos Estados Unidos é o mais bem-sucedido sucedâneo do rei já concebido pela engenharia política. Eleger um chefe é o passo natural dado pelos primitivos agrupamentos humanos, tão logo se elevam a um grau mínimo de organização. Fazer do chefe um rei, ungindo-o com a mística de um ser especial, por cujas veias corre sangue de cor diferente, e que goza de conexão privilegiada com o divino, é o passo seguinte. Muito mais adiante, quando o cérebro do bicho-homem passa a antepor a razão à superstição e o direito ao arbítrio, a figura do rei entra em obsolescência. Já não se acredita em seres especiais. Mas como, sem um personagem central, investido de suprema autoridade e confirmado pelo sagrado, evitar a anarquia e a dispersão? Os fundadores da nação americana, em resposta a esse temor, inventaram o presidencialismo e, no centro, puseram a figura do presidente. A cerimônia da semana passada em Washington foi a coroação de um rei sem coroa, eleito pelo voto do povo e com mandato fixo – mas de toda forma uma cerimônia de coroação, mais bonita e mais bafejada pela mística do que as cerimônias em muitos dos países que ainda cultuam um rei.”

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